Percentual de consumidores com dívidas atrasadas recuou de 34,8%, em janeiro, para 27,7%, em fevereiro
A pesquisa sobre o Perfil de Endividamento do Consumidor de Maceió, lançada pelo Instituto Fecomércio de Estudos, Pesquisas e Desenvolvimento (IFEPD), em parceria com o Banco do Nordeste do Brasil (BNB), aponta que o consumidor maceioense apresentou um nível de endividamento menor em fevereiro (73,1%), em relação ao mês de janeiro (78,1%). Nos primeiros dois meses de 2012, o percentual médio de consumidores endividados alcançou 75,6%, menor do que a média verificada em 2011 (81,6%).
Já o percentual de consumidores com dívidas atrasadas recuou de 34,8%, em janeiro, para 27,7%, em fevereiro. Em dez meses, este é o segundo melhor resultado alcançado.
O comprometimento da renda familiar dos consumidores para o mês analisado continua subindo desde dezembro de 2011, e alcançou, em fevereiro, 45,5%. Apesar da recomendação para que o percentual não ultrapasse 30% do total da renda líquida familiar, o consumidor maceioense demonstra não estar muito preocupado. A expectativa dos consumidores em relação à situação atual em termos econômicos é tão favorável que o consumidor continua assumindo maiores riscos em termos de contração de dívidas. A observação é comprovada pelo baixo nível de endividamento alcançado em fevereiro (2,4%).
Para o consultor econômico da Fecomércio/AL, Fábio Guedes, o fato do nível de endividamento ser o menor em dez meses demonstra a solidez dos compromissos dos consumidores em manter as contas rigorosamente pagas. “Surpreende porque geralmente, nesta época do ano, muitas despesas se somam às dívidas contraídas no final do ano anterior. O orçamento familiar então extrapola e leva alguns consumidores a ter dificuldades para honrar os compromissos”, explicou Fábio, acrescentando que os dados da pesquisa, pelo contrário, demonstram que os consumidores continuam a comprar, a assumir as dívidas e a pagá-las.
Em relação à forma de pagamento, o cartão de crédito é o mais utilizado pelos consumidores endividados (72,2%), seguidos de financiamento (33,9%), empréstimo pessoal (10,6%), cheque especial (9,2%), cheque pré-datado (8,5%) e carnê de lojas (7,2%).
A pesquisa aponta ainda que os gastos com educação, como já esperado, foram os principais motivos de contração de dívidas neste mês. Cerca de 40% dos consumidores assumiram mais dívidas com produtos e serviços. Na sequência aparecem vestuário (35,8%), alimentação (35,5%), tratamento de saúde (21,4), aluguel residencial (16,8%), seguros (13,2%), eletroeletrônicos (13,2%), reforma residencial (12,8%), eletrodomésticos (8,1%) e móveis residenciais (6,7%).
O percentual de pessoas que admitem que o desequilíbrio financeiro é o grande responsável pelo maior endividamento recuou de 69%, em janeiro, para 46% este mês. O consultor da Fecomércio afirma que este dado pode ser um bom sinal da tendência de mais racionalidade no uso dos recursos.
Adiar pagamento de despesas
Ainda de acordo com a pesquisa, outro indicador interessante aponta que o consumidor escolheu adiar o pagamento de determinada conta ou dívida para usar os recursos em outras finalidades. “20,5% desses consumidores devem ter bons motivos para ter escolhido não liquidar dívidas, preferindo utilizar o dinheiro de outra maneira, pois, se não for desta forma, certamente eles devem ter um custo muito maior em termos de juros e serviços financeiros”, comentou Fábio Quedes, revelando que 22,2% dos consumidores apontaram o esquecimento pela falta de pagamento de suas contas.
Conforme a pesquisa, 62% dos consumidores possuem dívidas com até 60 dias de prazo; 34,9%, entre 61 e 90 dias; e 37,9%, acima de 90 dias de prazo. Em termos de valores, 28,8% possuem dívidas de até mil reais; 30,4%, entre R$ 1.001 e 2 mil reais; 17,1%, entre R$ 2.001 e R$ 5mil; enquanto que 23,7% acumulam dívidas de mais de R$ 5 mil.
Fábio classificou o resultado da pesquisa como “surpreendente”, pois, os indicadores de nível de endividamento e inadimplência estão declinando justamente em um período do ano em que, geralmente, os consumidores estão com mais compromissos financeiros, em razão do acúmulo de despesas neste período.
“Apesar do aumento do comprometimento da renda familiar com dívidas, a tendência indica que não existem motivos para que as atividades econômicas dos setores de comércio e serviços desconfiem da capacidade financeira e de assumir compromissos do consumidor maceioense”, analisou.
Fonte:
Gazetaweb, com assessoria